A Sony Corp. desenvolveu uma posição dominante em sensores de imagem ajudando as pessoas a tirarem fotos de alta qualidade com smartphones.
Agora, a companhia está se dedicando a sensores que tiram fotos com uma
velocidade pelo menos dez vezes maior do que o olho humano é capaz de
captar.
A empresa está trabalhando com a Nissan Motor Co. e com Masatoshi
Ishikawa, um professor da Universidade de Tóquio, para desenvolver uma
tecnologia acessível e capaz de processar 1.000 imagens por segundo.
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Com essa rapidez, ela possibilitaria aplicações completamente novas para
os chips, que hoje são usados principalmente para tirar fotos com
celulares e câmeras. Os sensores de alta velocidade poderiam ajudar
veículos autônomos a evitar os perigos nas ruas ou possibilitar que
robôs industriais acelerem o processo de fabricação.
A iniciativa é parte da campanha do presidente Kazuo Hirai para fazer a
Sony ganhar importância como fornecedora de componentes, além de seus
negócios mais evidentes de fabricação de produtos eletrônicos de
consumo, videogames e filmes.
A empresa está quadruplicando o investimento em semicondutores neste
ano, para 290 bilhões de ienes (US$ 2,4 bilhões), a fim de atender à
demanda por sensores de clientes como a Apple Inc. e a Samsung
Electronics Co.
“Até agora, a Sony esteve muito concentrada na criação de sensores de
imagem que produzem fotos bonitas”, disse Shinichi Yoshimura, gerente da
Sony responsável pela combinação entre hardware e software para novas
tecnologias. “As imagens para o sensoriamento precisam de outro tipo de
chip, e o desafio é transformar tecnologias que produzem fotos bonitas
para que tenham novos usos”.
Demanda crescente
A Sony controlou cerca de 40 por cento do mercado de sensores de imagem,
avaliado em US$ 8,7 bilhões, no ano passado, na comparação com os cerca
de 16 por cento de sua concorrente mais próxima, estima a Techno System
Research. A previsão é de que esse mercado irá crescer para
aproximadamente US$ 12 bilhões até 2019 e a companhia espera que suas
vendas deem um salto de 62 por cento, para 1,5 trilhão de ienes, em três
anos.
“À medida que a demanda por smartphones amadurece, em algum momento
outros concorrentes da Sony vão igualar essa tecnologia”, disse Yu
Okazaki, analista em Tóquio da Nomura Securities Co. “É importante
diversificar os usos para robôs, carros, etc.”.
Os sensores de imagem são semicondutores que transformam a luz em bits
digitais, que podem então ser armazenados na memória de um smartphone ou
serem usados para guiar um veículo sem motorista. Para produzi-los, são
necessários grandes investimentos em fábricas, exatamente o que a Intel
Corp. está fazendo para os processadores e a Samsung para os chips de
memória.
Menor e mais barato
Já existem chips que capturam 1.000 imagens por segundo, mas devido ao
custo e ao tamanho eles não são práticos para os usos do mercado de
massas. Por exemplo, câmeras com esse tipo de velocidade custam de US$
1.000 a US$ 100.000, de fornecedores como Sony e Vision Research Inc. O
desafio é comprimir essa potência em um módulo suficientemente pequeno
para caber no espelho retrovisor de um carro e suficientemente barato
para aparelhos como os de vestir.
Os sensores tradicionais foram criados com elementos receptores de luz
lado a lado com circuitos eletrônicos de metal, então tornar um chip
mais rápido geralmente também significa torná-lo maior. A Sony
desenvolveu um modo de empilhar o circuito e o sensor, aumentando a
velocidade e a resolução em um aparelho menor.
Com essa abordagem, a empresa conseguiu obter 900 imagens por segundo
com os protótipos. Uma câmera de alta gama comum capta cerca de 60 fotos
por segundo”.
“Os sensores de imagem de alta velocidade são um setor de nicho, mas a
Sony tem o poder para transformá-lo em uma tendência dominante”, disse
Ishikawa. “E isso poderia ocorrer dentro de apenas dois anos”.
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